{"version":"1.0","provider_name":"CFBB AMAZ\u00d4NIA - Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amaz\u00f4nica","provider_url":"https:\/\/cfbbamazonia.org\/fr","author_name":"firmin.sauban@gmail.com","author_url":"https:\/\/cfbbamazonia.org\/fr\/author\/firmin-saubangmail-com\/","title":"A artista por tr\u00e1s do logo do CFBBA - CFBB AMAZ\u00d4NIA - Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amaz\u00f4nica","type":"rich","width":600,"height":338,"html":"<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"J3XT8IOepp\"><a href=\"https:\/\/cfbbamazonia.org\/fr\/a-artista-por-tras-do-logo-do-cfbba\/\">L'artiste derri\u00e8re le logo du CFBBA<\/a><\/blockquote><iframe sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" src=\"https:\/\/cfbbamazonia.org\/fr\/a-artista-por-tras-do-logo-do-cfbba\/embed\/#?secret=J3XT8IOepp\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"\u00ab\u00a0A artista por tr\u00e1s do logo do CFBBA\u00a0\u00bb &#8212; CFBB AMAZ\u00d4NIA - Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amaz\u00f4nica\" data-secret=\"J3XT8IOepp\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" class=\"wp-embedded-content\"><\/iframe><script>\n\/*! This file is auto-generated *\/\n!function(d,l){\"use strict\";l.querySelector&&d.addEventListener&&\"undefined\"!=typeof URL&&(d.wp=d.wp||{},d.wp.receiveEmbedMessage||(d.wp.receiveEmbedMessage=function(e){var t=e.data;if((t||t.secret||t.message||t.value)&&!\/[^a-zA-Z0-9]\/.test(t.secret)){for(var s,r,n,a=l.querySelectorAll('iframe[data-secret=\"'+t.secret+'\"]'),o=l.querySelectorAll('blockquote[data-secret=\"'+t.secret+'\"]'),c=new RegExp(\"^https?:$\",\"i\"),i=0;i<o.length;i++)o[i].style.display=\"none\";for(i=0;i<a.length;i++)s=a[i],e.source===s.contentWindow&&(s.removeAttribute(\"style\"),\"height\"===t.message?(1e3<(r=parseInt(t.value,10))?r=1e3:~~r<200&&(r=200),s.height=r):\"link\"===t.message&&(r=new URL(s.getAttribute(\"src\")),n=new URL(t.value),c.test(n.protocol))&&n.host===r.host&&l.activeElement===s&&(d.top.location.href=t.value))}},d.addEventListener(\"message\",d.wp.receiveEmbedMessage,!1),l.addEventListener(\"DOMContentLoaded\",function(){for(var e,t,s=l.querySelectorAll(\"iframe.wp-embedded-content\"),r=0;r<s.length;r++)(t=(e=s[r]).getAttribute(\"data-secret\"))||(t=Math.random().toString(36).substring(2,12),e.src+=\"#?secret=\"+t,e.setAttribute(\"data-secret\",t)),e.contentWindow.postMessage({message:\"ready\",secret:t},\"*\")},!1)))}(window,document);\n\/\/# sourceURL=https:\/\/cfbbamazonia.org\/wp-includes\/js\/wp-embed.min.js\n<\/script>","description":"A artista por tr\u00e1s do logo do CFBBA Nath\u00ee Cordeiro Artista Travesti Ind\u00edgena, estudante de Arquitetura e Urbanismo na UNICAMP e formada em Desenho e Pintura a m\u00e3o livre Email: natravesthi@gmail.com Voc\u00ea pode nos contar um pouco sobre voc\u00ea? Quem \u00e9 Nath\u00ee Cordeiro? Sou Nath\u00ee Cordeiro, uma travesti, pessoa com defici\u00eancia (PcD) e em retomada ind\u00edgena, nascida e criada em Amambai (MS), cidade fronteiri\u00e7a com o Paraguai. Minha trajet\u00f3ria \u00e9 marcada pela pot\u00eancia das margens \u2014 dos corpos dissidentes, das culturas ind\u00edgenas em resist\u00eancia e da arte como ferramenta de insurg\u00eancia. Atualmente, curso Arquitetura e Urbanismo na UNICAMP e sou formada em Desenho e Pintura a m\u00e3o livre. Minha atua\u00e7\u00e3o transita entre a academia, o ativismo e a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, sempre com um olhar interseccional que entrela\u00e7a arte, design e metodologias decoloniais. Qual \u00e9 a sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica e profissional at\u00e9 aqui? O que te levou a escolher estudar arquitetura? Minha trajet\u00f3ria acad\u00eamica come\u00e7ou com a forma\u00e7\u00e3o em Desenho e Pintura a m\u00e3o livre, mas foi na Arquitetura e Urbanismo que encontrei um campo f\u00e9rtil para pensar espa\u00e7os como gestos pol\u00edticos. Escolhi arquitetura porque ela permite transformar territ\u00f3rios f\u00edsicos e simb\u00f3licos \u2014 uma forma de materializar lutas por ocupa\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria e pertencimento. Na UNICAMP, integro o Escrit\u00f3rio Modelo M\u00f3bile e o Ateli\u00ea TRANSmoras, onde trabalho com projetos que dialogam com arte e decolonialidade. Al\u00e9m disso, j\u00e1 participei de pesquisas sobre g\u00eanero e sexualidade no CIEC e atuei em coletivos como o N\u00facleo de Consci\u00eancia Trans (NCT) e a Abya Yala Criativa (AYC), plataforma de moda ind\u00edgena. Como voc\u00ea come\u00e7ou a trabalhar com arte, ilustra\u00e7\u00e3o e design gr\u00e1fico? Foi algo planejado ou que surgiu ao longo do caminho? A arte sempre esteve presente na minha vida, mas foi um caminho que se desdobrou naturalmente. Comecei com o desenho e a pintura, e, ao entrar na arquitetura, percebi como o design gr\u00e1fico e a ilustra\u00e7\u00e3o podiam ser armas de luta \u2014 seja nos movimentos estudantis, ind\u00edgenas ou trans. N\u00e3o foi algo totalmente planejado, mas uma resposta \u00e0s necessidades de comunica\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia que encontrei no caminho. Hoje, uso a arte para insurgir narrativas, seja em cartazes, ilustra\u00e7\u00f5es ou projetos de ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os. De que forma sua identidade, enquanto artista, pessoa ind\u00edgena e pessoa trans, se reflete no seu trabalho e nas suas cria\u00e7\u00f5es? Minha identidade \u00e9 o cerne do meu trabalho. Como uma travesti ind\u00edgena, carrego mem\u00f3rias de resist\u00eancia que se traduzem em est\u00e9ticas dissidentes. Minhas cria\u00e7\u00f5es questionam padr\u00f5es coloniais, celebram corpos-territ\u00f3rio e reivindicam espa\u00e7os para exist\u00eancias marginalizadas. A arte, para mim, \u00e9 um ato pol\u00edtico: cada tra\u00e7o, cada cor, cada composi\u00e7\u00e3o precisa carregar essa ancestralidade e insurg\u00eancia. Para voc\u00ea, qual \u00e9 o papel da arte no fortalecimento das pautas e das lutas dos povos ind\u00edgenas hoje? A arte \u00e9 uma ferramenta fundamental de den\u00fancia, mem\u00f3ria e celebra\u00e7\u00e3o. Ela traduz lutas complexas em narrativas acess\u00edveis, conecta gera\u00e7\u00f5es e ressignifica s\u00edmbolos coloniais. Para os povos ind\u00edgenas, a arte \u00e9 resist\u00eancia viva \u2014 seja na pintura corporal, no grafismo, na moda ou no design contempor\u00e2neo. Atrav\u00e9s dela, reafirmamos nossa exist\u00eancia, combatemos estere\u00f3tipos e constru\u00edmos futuros poss\u00edveis. Como voc\u00ea enxerga o movimento ind\u00edgena atualmente (no Brasil)? Quais s\u00e3o, na sua vis\u00e3o, os principais desafios e avan\u00e7os? Vejo um movimento ind\u00edgena cada vez mais plural e fortalecido, com lideran\u00e7as jovens, mulheres e LGBTQIAPN+ ocupando espa\u00e7os. Avan\u00e7amos em visibilidade e articula\u00e7\u00e3o, mas os desafios ainda s\u00e3o brutais: o avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio, a viol\u00eancia contra lideran\u00e7as e o racismo estrutural. A retomada de territ\u00f3rios e a luta por pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o urgentes, mas tamb\u00e9m vejo uma pot\u00eancia criativa enorme, pois estamos cada vez mais usando a arte, o direito e a tecnologia para reescrever a narrativa colonial. Qual \u00e9 a sua vis\u00e3o sobre os temas relacionados \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica e ao papel dos povos ind\u00edgenas nesse contexto? Como bem sabemos, os povos ind\u00edgenas s\u00e3o guardi\u00f5es ancestrais da biodiversidade e nenhuma pol\u00edtica de conserva\u00e7\u00e3o ser\u00e1 efetiva sem seu protagonismo. A Amaz\u00f4nia e os outros biomas s\u00f3 ainda existem hoje porque ind\u00edgenas os protegeram por s\u00e9culos. O desafio \u00e9 combater a ideia de que &#8220;desenvolvimento&#8221; significa destrui\u00e7\u00e3o e mostrar que nossas pr\u00e1ticas tradicionais s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es reais para a crise clim\u00e1tica. Existe uma mensagem que voc\u00ea gostaria de transmitir atrav\u00e9s do seu trabalho art\u00edstico e, em particular, atrav\u00e9s do logo criado para o CFBBA? O logo que criei para o CFBBA constr\u00f3i uma ponte entre mundos. O japu, com sua cauda colorida voando sobre as copas das \u00e1rvores, representa o di\u00e1logo entre os saberes franco-brasileiros e a sabedoria ancestral amaz\u00f4nica. Seu degrad\u00ea de cores simboliza essa alian\u00e7a transatl\u00e2ntica pela biodiversidade, onde o conhecimento cient\u00edfico e tradicional se encontram harmoniosamente. O voo do japu, p\u00e1ssaro que n\u00e3o reconhece fronteiras, reflete o esp\u00edrito do CFBBA: uma institui\u00e7\u00e3o que ultrapassa limites geogr\u00e1ficos para proteger a Amaz\u00f4nia, honrando as mem\u00f3rias e hist\u00f3rias que nela habitam. O design refor\u00e7a um princ\u00edpio fundamental: toda pesquisa e a\u00e7\u00e3o deve ser realizada com os povos da floresta, nunca sobre eles. Mais do que um s\u00edmbolo, este logo \u00e9 um compromisso visual &#8211; com a ci\u00eancia colaborativa, com a floresta viva e com os saberes tradicionais que, quando unidos, podem construir um futuro mais sustent\u00e1vel. O japu voa para lembrar que conservar a Amaz\u00f4nia \u00e9, antes de tudo, valorizar seus guardi\u00f5es originais. Voc\u00ea gostaria de compartilhar algum projeto, sonho ou perspectiva para o futuro? Tenho sonhado com projetos que transformem o olhar da sociedade sobre corpos dissidentes \u2014 porque somos n\u00f3s que gestamos as revolu\u00e7\u00f5es. Quero que minhas cria\u00e7\u00f5es sejam pontes, ferramentas que revelem ao mundo que merecemos ser respeitados e termos nossos direitos garantidos. Meu trabalho existe para abrir caminhos, para que os meus \u2014 travestis, ind\u00edgenas, pessoas com defici\u00eancia e todas as exist\u00eancias marginais \u2014 n\u00e3o apenas sobrevivam, mas flores\u00e7am.","thumbnail_url":"https:\/\/cfbbamazonia.org\/wp-content\/uploads\/elementor\/thumbs\/4185D457-00CF-4916-94D7-A931BD8B0751-scaled-r7vt5gtrocz2s7q3uxhfcazhdm89nuixns7n06x7qo.jpeg"}