A infância é o momento em que a curiosidade floresce, quando perguntas como“por que o céu é azul?” ou “de onde vem a água da chuva?” surgem naturalmente. Ao aproveitar essa curiosidade natural, a inserção de elementos científicos no desenvolvimento infantil tem um papel importante. Popularizar a ciência desde os primeiros anos é essencial para formar cidadãos críticos e conscientes. Quando apresentada de forma acessível, lúdica e conectada ao cotidiano, a ciência deixa de ser distante ou difícil e passa a ser uma aventura repleta de descobertas.
A Ciência e a Tecnologia têm papel central no desenvolvimento econômico, social e ambiental de um país. Para que seus benefícios sejam compreendidos e valorizados pela sociedade, é fundamental investir em ações de popularização do conhecimento. Oficinas e exposições com atividades interativas devem estimular a curiosidade, a formação científica e o pensamento crítico, reforçando a importância da ciência na melhoria da qualidade de vida e no enfrentamento dos desafios atuais.
Com o objetivo de promover a divulgação e popularização do conhecimento científico, o Laboratório de Citotaxonomia e Insetos Aquáticos, sediado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), desenvolve, há mais de 15 anos, ações voltadas à disseminação dos resultados de suas pesquisas sobre insetos aquáticos e suas interações com o ambiente. As atividades têm como público-alvo estudantes do ensino fundamental e médio de Manaus e região metropolitana. No entanto, nos últimos anos, o laboratório tem ampliado seu alcance, levando conhecimento científico as comunidades do interior do Amazonas, especialmente àquelas com acesso limitado à informação, promovendo o contato direto com a ciência de forma acessível e transformadora (Fig. 1). Ressaltamos o apoio fundamental das agências de fomento, em especial à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), cujo financiamentos têm sido essencial para a realização e continuidade dessas iniciativas.


Nossas atividades e materiais desenvolvidos têm como objetivo despertar o interesse do público pelos insetos aquáticos, destacando sua diversidade, biologia e interação com outros organismos. Além disso, destacamos a estreita relação desses animais com a vegetação ripária, reforçando a importância da sua preservação para a manutenção da vida nos ambientes aquáticos.
Um dos principais atrativos das nossas atividades é a calha móvel (Fig. 2), uma representação de um igarapé cercado por vegetação ripária, com diferentes microhabitats. Nessa maquete interativa, modelos ampliados de insetos aquáticos, confeccionados em pelúcia e E.V.A., permitem que os visitantes reconheçam tanto os organismos quanto os ambientes onde vivem na natureza. Esse trabalho tem sido replicado em outras instituições do Brasil.
Uma variedade de materiais educativos foi desenvolvida para uso em nossas ações, incluindo painéis interativos, jogos de cartas e de tabuleiro, quebra-cabeças, pescaria, jogo da memória, maquetes e filmes sobre a biologia de insetos aquáticos (Figs 3 e 4). Também são distribuídos materiais para recortar, montar e colorir, permitindo que as crianças levem para sua casa um pouco da experiência vivenciada durante as atividades (Fig. 5). Um aspecto importante a ser destacado é que a maioria dessas atividades tem baixo custo, podendo ser replicada por professores em sala de aula.



Uma série de livros didáticos também integra os produtos desenvolvidos por nossa equipe (Fig. 6). Com uma linguagem acessível e ilustrações envolventes, esses materiais abordam temas como a biologia dos insetos aquáticos, seus habitats e importância ecológica, estimulando o interesse e o hábito da leitura científica.

Mais do que transmitir conteúdos científicos, nossas ações também promovem a inclusão social. Um exemplo é o livro “O mundo dos insetos aquáticos”, traduzido com o apoio de dois professores indígenas das etnias Apurinã e Paumari (Fig. 7). Esse material está sendo utilizado no ensino escolar, representando um importante passo na valorização linguística e democratização do saber científico, uma vez que os indígenas, no geral, carecem de recursos educacionais em seus próprios idiomas. Destacamos ainda a versão do livro “O curioso João-Pedreiro” traduzida para Libras (Fig. 8), que proporciona uma experiência de aprendizado significativa para a comunidade surda. Os livros e modelos das atividades apresentadas estão disponíveis para download em nosso site https://sites.google.com/view/


Despertar o interesse científico nas crianças vai além de ensinar conteúdos, é uma missão! É plantar a semente da curiosidade que pode transformar sua maneira de ver o mundo, desmistificando medos e corrigindo conceitos equivocados transmitidos ao longo das gerações. Mais do que formar futuros cientistas, trata-se de formar cidadãos críticos, conscientes e comprometidos com a preservação do planeta.