Églantine Shonbuch

Sara Lasagni

Jorge Covarrubias


Somos Églantine Schonbuch, Sara Lasagni e Jorge Covarrubias, arquitetos e engenheiros franceses atualmente em final de formação especializada em Arquitetura e Riscos Maiores na Escola Nacional Superior de Arquitetura de Paris-Belleville. Estávamos em Belém, de julho a outubro de 2025, para realizar um projeto de habitação palafítica em Belém, no âmbito da COP30, para o Conselho Nacional da Ordem dos Arquitetos da França, em colaboração com o Laboratório da Cidade de Belém e a Universidade Federal do Pará (UFPA).

Este protótipo, construído no campus da UFPA, inspira-se nas casas tradicionais sobre palafitas da Amazônia e busca reinterpretá-las por meio de uma abordagem ecológica e contemporânea. O objetivo é propor um novo princípio de habitação social, mais flexível e melhor adaptado ao clima amazônico do que os modelos atuais, muitas vezes rígidos, valorizando o uso da madeira, de materiais locais e de reuso, bem como soluções baseadas na natureza para reduzir a pegada de carbono e aumentar o conforto.

A Casa Palafita retoma a ideia de flexibilidade e de ampliação progressiva, típica das casas vernáculas dos ribeirinhos, mas a adapta em forma de módulos reprodutíveis. Esses módulos permitem uma construção simples, evolutiva e acessível à autoconstrução.

O protótipo também explora soluções bioclimáticas : uma circulação interna-externa que funciona como uma zona de transição térmica, uma orientação do edifício pensada de acordo com o sol e o vento, além de uma cobertura projetada para otimizar a ventilação natural e a proteção contra a chuva tropical.

Diferentes técnicas e materiais de base biológica ou de reuso estão sendo testados: fibras vegetais (açaí, coco, curauá, juta, guaruma…), terra crua, madeira, concreto vegetal, painéis de micélio, trançados artesanais e até painéis experimentais a partir de objetos e materiais reutilizados. Para isso, colaboramos com pesquisadores da área de engenharia química e startups que desenvolvem novos produtos de origem biológica, no Pará (Frutaly, para o açaí) e na Guiana Francesa (Hyflex, para o micélio). Este projeto insere-se, assim, em uma dinâmica de pesquisa interdisciplinar.

O canteiro de obras aconteceu de forma participativa com estudantes de arquitetura e engenharia da UFPA, que experimentaram diretamente essas soluções e contribuíram para criar uma verdadeira materioteca viva, que poderá ser utilizada posteriormente pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPA. A ideia é mostrar que existe uma multiplicidade de alternativas adequadas a um determinado contexto, muito além do concreto ou do tijolo monomuro, para imaginar uma habitação social sustentável e em sintonia com seu ambiente.

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Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica (CFBBA)

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